A arquitectura chinesa deu provas de tão grande unidade que temos a impressão de que durante milénios, no decurso dos quais os outros estilos sofreram transformações e desenvolvimentos de toda a espécie, nenhuma evolução se operou na arte da construção. Esta conclusão errônea tem duas causas: a maior parte das construções históricas que subsistem hoje na China data da época Ming e da época Ts’ing, e as obras mais antigas – correspondendo à nossa Idade Média – são menos numerosas do que no Ocidente; e as diferenças no processo de construir no decorrer dos séculos são pequeníssimas, se comparadas às características permanentes do estilo, ao contrário da Europa, onde cada estilo novo implicou uma mudança fundamental na maneira de edificar. Por outro lado, a ausência de arquitectura sagrada – apenas o pagode possui uma finalidade exclusivamente religiosa – acrescenta à uniformidade histórica a unidade tipológica: o palácio, o edifício administrativo, o salão e o templo são edificados com as mesmas formas arquitectónicas.
O facto de cada obra nova possuir, apesar de tudo, o seu carácter próprio deriva da concepção do arquitecto chinês, que dedica a sua atenção mais a um conjunto de edificações do que a um edifício individual. Um salão ou um pavilhão correspondem praticamente apenas a uma finalidade limitada, e assim é completado por outras construções destinadas a diferente utilização. A construção individual também não constitui em si própria uma obra de arte e, portanto, não é mais do que um elemento em complementaridade com outros salões, galerias, portas e pavilhões, e só se completa com a sua integração na paisagem.
Fonte -W. Speiser e E. v. Erdberg-Consten “Extremo Oriente”. Lisboa: verbo, 1969
 

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